REBELDES SEM CAUSA

Se ele à coisa que me irrita são os jovens armados em vítimas. Não tenho nada contra os jovens, que se note, irritam-me é aqueles que acham que a sociedade não os entende, que os rejeita, que os anula, enfim, que não compreende a sua rebeldia. Viva a rebeldia da juventude. O problema é que a grande maioria dos jovens não sabe ser rebelde. Assim como não sabe viver em liberdade. Há uma diferença abissal entre liberdade e libertinagem. Entre ser rebelde e ser anárquico. A maioria intitula-se rebelde quando na verdade é anárquico. Não gozam a liberdade, antes são libertinos perante a sociedade. Não respeitam os outros, e a falta de respeito é muito grave para quem quer viver em comunidade. E é por isso que se isolam aos pares, em grupos que tem o mesmo lema de vida: ser contra tudo e todos sem fundamentos para tal.
Intitulam-se defensores da natureza. São contra a violência. Espírito Zen, entre muitos outros conceitos que desconhecem em absoluto. São de modas, algumas delas já ultrapassadas. Os hippies foram importantes na sua época, e continuariam a sê-lo caso a filosofia subjacente a este movimento estivesse lá na sua essência mais pura. Hoje têm outra designação. Estão camuflados entre roupas coloridas, em palavras estranhas, em estilos de música que pouco mais têm que barulho, tudo isto envolto em fumos, muitos fumos, e velas aromáticas. Só lhes falta as flores no cabelo, substituídas por rastas e térérés.
A sua ausência de violência é falsa. São violentos para os que são diferentes. Criticam-nos por seguirem regras sociais, provando a sua pseudo-tolerância e falta de inteligência para perceber que todos os seres têm direito à sua liberdade de escolha. Admito que também eles sejam vítimas de intolerância, porque o são, e não raras vezes. Mas quem os exclui, quem os critica não afirma ser tolerante, nem faz questão de ser politicamente correcto. Não gosta e não esconde.
Detesto pessoas intolerantes, mas nem sempre a tolerância parece ser suficiente para estas espécies raras. Tento entendê-los, mas não consigo. Não tem a ver com a maneira de vestir, ou da forma como tratam o cabelo e muito menos de serem rebeldes. Chateia-me sim, é que sejam rebeldes sem causa. Que sejam anárquicos mas não dependentes dos pais, e de quem deles toma conta. Esses têm que os entender. Então e eles, não terão o mesmo dever perante a sociedade? Pelos vistos, não.